sábado, 16 de outubro de 2010

Reportagens - O único artesão de cachimbos português











A história do artesão lusitano João Reis é um exemplo, não só para cachimbeiros, mas para qualquer um que tenha um sonho. Mesmo morando num país sem muita tradição na fabricação de cachimbos, foi atrás do aprimoramento necessário, e hoje é um renomado artesão cujas peças custam de 500,00 a 3.000,00 euros.  Neste mês sua história foi destaque no Jornal de Notícias, de Portugal. Segue a íntegra.


O único artesão de cachimbos português

Aos 32 anos é o único artesão português a fazer cachimbos. Não fará outra coisa "enquanto for vivo".


Em 1998, quando ainda criava móveis, um conhecido propôs-lhe fazer um cachimbo, e 12 anos depois, metade dos quais passados na Dinamarca, João Reis é o único artesão profissional português do ofício, chegando a vender 120 peças num ano.


Por não haver profissionais na área em Portugal, foi um autodidacta durante cinco anos, até expor alguns modelos num campeonato mundial de fumadores em Barcelona, onde conheceu o artesão dinamarquês Kai Nielsen. Decidido a aprender com o mestre, João passou um mês no país escandinavo, para onde regressou pouco depois, já que em Portugal não havia o equipamento necessário.


Quando começou, demorava uma semana a fazer um exemplar. Hoje leva, em média, dois dias a completar um processo que implica desbastar um pequeno bloco de madeira para fazer o fornilho, que será encaixado numa boquilha também moldada ou preconcebida. Ajustadas as partes, explicou à Lusa, há que dar os acabamentos, feitos sobretudo à mão.


"É preciso gostar de cachimbos, se não se usar um pouco de paixão no que se está a fazer torna-se difícil fazer algo de qualidade. Tem de ser um pouco de coração, mãos e olhos, é preciso gostar e ter algum talento", disse o artesão, à margem de um workshop que orientou em Lisboa.


Satisfeito por ter conseguido tornar-se conhecido mundialmente, João tem hoje encomendas para, "no mínimo dos mínimos", seis meses, e exporta muito para os EUA e para a China. Dinamarca, Portugal e Rússia são outros destinos dos seus exemplares, que custam entre 550 a 3000 euros.


Apesar de o negócio correr bem, o artista é motivado sobretudo pelo exercício da criatividade - "poder procurar modelos novos, mais excêntricos ou mais clássicos, ter o desafio de trabalhar com madeira e produzir algo nunca produzido antes" -, o que o leva a afirmar que não fará outra coisa "enquanto for vivo".


Com vida parece estar também o ofício, já que a produção artesanal tem tido "mais mercado" do que a industrial e várias fábricas têm fechado portas. No seu entender, trata-se do efeito de uma maior procura pela qualidade: "Num cachimbo feito à mão, os cuidados são diferentes de meter o bloco na máquina, aí uma pessoa não olha muito aos veios da madeira, não tem tantos cuidados com a escolha, o design". "
Fonte

2 comentários:

ines disse...

Olá,

gostaria de saber como posso contatar o João Reis.

Obrigada,

InÊs Escudeiro

mdrabecki disse...

Olá Inês,
Infelizmente não tenho o contato dele.